Voando com a AZUL (GVR/CNF)

– tenho um Tio muito querido que mora no Vale do Aço em Minas Gerais, região onde estão instalados muitas indústrias siderúrgicas; no dia 30.12.2017, ele completaria 75 anos de idade e organizou uma série de comemorações; não tinha como deixar de comparecer e compartilhar com ele este grande momento de vida

– mas como queria passar o Ano Novo em casa com a “patroa” e a “herdeira”, resolvi fazer um autêntico bate-e-volta, chegando no dia do aniversário dele e voltando no dia seguinte, a tempo de ver os fogos de Réveillon em Copacabana, onde moro

O CANCELAMENTO DO VOO

– comprei a passagem no final de agosto de 2017, ou seja, com antecedência superior a 04 meses antes da viagem, a um preço estratosférico: R$ 1.067,00 para ir do Rio de Janeiro para Ipatinga/IPN, com conexão em Belo Horizonte/CNF, tanto na ida quanto na volta, voando nos 02 modelos de aeronaves que a AZUL utiliza em suas operações: o “nosso” Embraer E-Jet e o ATR-72/600

– em 30.11.2017 (cerca de 01 mês antes da viagem), recebi um desagradável e-mail da AZUL informando que o meu voo do dia 31 de dezembro tinha sido cancelado e indicando uma mudança automática para o dia anterior, apenas 30 minutos depois de minha chegada em Ipatinga; liguei para a Central de Atendimento da companhia para informar que esta alternativa estava fora de cogitação e que precisava voltar para o Rio de Janeiro no dia 31 de qualquer jeito

Comunicação da Azul de reacomodação para o dia 30.12.2017

– o atendimento por telefone foi bastante atencioso e a única opção possível foi ser realocado no voo que partiria de Governador Valadares/GVR às 10:15h, com conexão em Confins/CNF e chegada no Rio/SDU às 13:50h

Detalhes do novo voo de retorno: partida de GVR

– além disso, foi aberta uma solicitação de um transporte particular para me levar de Ipatinga para Gov. Valadares; mas em 07.12.2017 recebi um enigmático e-mail informando que o meu caso tinha sido concluído, confirmado o voo saindo de GVR e que um crédito de R$ 200,00 estaria disponível para compras futuras com a AZUL; nada foi falado explicitamente sobre o táxi entre as cidades; liguei novamente para a Central e fui informado que ele não tinha sido autorizado pela supervisão, com o argumento de que “o cancelamento do voo foi feito com antecedência

– como não queria deixar de prestigiar o aniversário do meu Tio, corri atrás de uma solução: ir de ônibus para Valadares; a Viação GONTIJO é quem opera esta linha e comprei pela Internet uma passagem por R$ 23,77, partindo na “madrugada” do domingo: 05:55h, o único horário que tornava possível o embarque em GVR às 10:15h

– portanto, esta avaliação se refere ao 1º voo da viagem de volta, um voo regional, de curta duração, operado por um avião de pequeno porte

A IDA PARA GOVERNADOR VALADARES

– fui de Belo Horizonte para Ipatinga no dia anterior (sábado – 30.12.2017), saindo do Aeroporto Internacional de Confins/CNF, também a bordo de um ATR-72, de prefixo PR-TKJ, que ainda carrega a identidade visual da extinta TRIP

ATR-72/600 da AZUL – PR-TKN em Ipatinga/IPN

ATR-72/600 da AZUL – PR-TKN em Ipatinga/IPN

– o ônibus, que passou antes por Coronel Fabriciano, saiu às 06:00h de Ipatinga e chegou às 07:45h em Gov. Valadares, uma viagem de 110 quilômetros, com muitos quebra-molas pelo caminho; o ônibus era confortável, com apoio para as pernas, mas ar condicionado estava congelando, o que me incomodou um pouco, eu estava de bermuda e sem casaco

Ônibus da Viação Gontijo

Ônibus da Viação Gontijo

Ônibus da Viação Gontijo

Ônibus da Viação Gontijo

– em Gov. Valadares, tentei chamar um UBER, mas não tinha nenhum disponível, tive que pegar um táxi mesmo, foram apenas 15 minutos de trajeto e gastei R$ 31,00 (quase 03 vezes mais do que a previsão de custo com o aplicativo)

Tentativa frustrada de pegar UBER em Valadares

– no caminho, acessei o aplicativo para celular da AZUL para antecipar o check-in, mas na hora de marcar o assento do voo seguinte (CNF-SDU), só haviam assentos especiais (“Espaço Azul”) disponíveis e uma cobrança adicional de R$ 45,00 estava sendo feita; não terminei o processo, não queria pagar nada a mais

O AEROPORTO DE GOVERNADOR VALADARES

– a fachada do terminal já dava a clara indicação da estrutura simples desta cidade mineira que tem mais de 280.000 habitantes

Aeroporto de Valadares – Entrada

– apenas 02 companhias aéreas têm balcões no Aeroporto Coronel Altino Machado: a PASSAREDO (que depois de 04 meses operando por lá, suspendeu os voos desde 18.12.2017) e  a AZUL, que hoje, portanto, opera de forma soberana e monopolística na cidade

Balcão de Atendimento – AZUL – Valadares

Balcão de Atendimento – PASSAREDO – Valadares

– por dentro, tudo é muito simples também, mais até do que a estrutura do Aeroporto de Ipatinga; os balcões de check-in, os quiosques das locadoras de veículos, uma cantina, 18 cadeiras de plástico e os banheiros (que estavam desagradavelmente imundos e impossíveis de serem usados) ficam em um mesmo e único ambiente; não há monitores com informações dos (raros) voos; ventiladores no teto completam o cenário

– uma placa indicava que a Prefeitura da cidade reconhecia as fragilidades da estrutura e que muito trabalho ainda precisa ser feito neste aeroporto

Placa da Prefeitura com todas as melhorias necessárias para o Aeroporto de Valadares

– cheguei por volta de 08:10h, no exato momento em que os funcionários da AZUL iniciavam o atendimento do voo AD9033 marcado para 10:15h, fui o 1° passageiro a ser atendido: consegui assentos na janela nos 02 voos, incluindo o Espaço Azul no trecho operado pelo Embraer E-190 até o Rio de Janeiro, sem custo adicional

Cartões de Embarque – GVR/CNF/SDU

– na pequena cantina está instalada no canto do saguão fiz um rápido lanche, gastando R$ 8,00 para comprar uma latinha de refrigerante e um autêntico pão de queijo mineiro

Cantina – Aer. Valadares

Lanche rápido – Aer. Valadares

– arrumei uma tomada meio improvisada perto das mesas da cantina para carregar o celular, acho que era a única disponível no ambiente, foi muito providencial, pois já estava na “reserva” da bateria

Tomada providencial para carregar o celular

– fiquei acompanhando pelo aplicativo FlightRadar e a aeronave que operaria o meu voo decolou de Belo Horizonte às 09:05h, com previsão de pouso em Valadares às 09:33h

– o estacionamento do aeroporto fica ao lado esquerdo do prédio, dei uma passadinha rápida por lá, onde há uma visão parcial da pista do aeroporto; 04 aeronaves particulares de pequeno porte estavam estacionadas no pátio

Aeronaves particulares no pátio de GVR

Aeronaves particulares no pátio de GVR

– eram 09:20h quando foi feito um anúncio pelo sistema de áudio para que os passageiros do meu voo se encaminhassem para a sala de embarque; apesar do ATR que me levaria até BH não ter nem pousado ainda, respeitei o chamado e parti para fazer o controle de segurança: 01 único aparelho de raio-x inspeciona as bagagens de mão dos passageiros de forma frouxa

Entrada da Sala de Embarque – aparelho de raio-x

– a sala de embarque era muito apertada, mas pelo menos as cadeiras eram acolchoadas e tinha e ar-condicionado, mas como o ambiente estava lotado, não estava dando conta de diminuir o calor

Sala de Embarque – Gov. Valadares

– ao fundo, 02 janelas davam visão para o pátio, fui para lá e arrumei um lugar razoavelmente bom para tirar fotos da aproximação do ATR, que pousou às 09:41h

Aproximação e pouso – AZUL – ATR-72/600 – Gov. Valadares

Aproximação e pouso – AZUL – ATR-72/600 – Gov. Valadares

Aproximação e pouso – AZUL – ATR-72/600 – Gov. Valadares

Aproximação e pouso – AZUL – ATR-72/600 – Gov. Valadares

Aproximação e pouso – AZUL – ATR-72/600 – Gov. Valadares

– cerca de 03 minutos depois, a aeronave da AZUL reapareceu, taxiando lentamente, a caminho da sua posição de estacionamento 

ATR-72 da AZUL taxiando em GVR

ATR-72 da AZUL taxiando em GVR

ATR-72 da AZUL taxiando em GVR

ATR-72 da AZUL taxiando em GVR

ATR-72 da AZUL taxiando em GVR

ATR-72 da AZUL taxiando em GVR

– é impressionante a eficácia operacional que este modelo de aeronave permite: a equipe de terra calçou o avião, uma comissária abriu a porta traseira e os passageiros começaram a desembarcar, tudo isso em questão de segundos

Desembarque – AZUL – ATR-72/600 – Gov. Valadares

– neste mesmo momento, foi anunciado que o embarque estava próximo por um dos 02 funcionários da AZUL que estavam responsáveis pelo voo; na fila de passageiros que rapidamente se formou, muitas famílias com crianças

Embarque autorizado – Voo 9033

– logo depois, um deles fez um outro e preocupante anúncio: um assento da aeronave estava inoperante, por isso, ele “convocava” algum passageiro a “negociar” a reacomodação em outro voo, em outro dia, pois aquele era o único que seria operado naquele último dia do ano de 2017; um casal acompanhado da filha pequena aceitou ficar e passar o Réveillon com os pais: problema resolvido, felizmente

O EMBARQUE NO ATR-72/600

– o embarque foi autorizado por volta de 10:00h; fiquei esperando e quis ser o último a caminhar até o avião; foram cerca de 40 metros, com lembranças saudosas dos embarques sempre remotos no Aeroporto Santos Dumont

– o ATR-72/600 escalado para operar este curto voo tinha o prefixo PR-AQB e foi entregue em novembro de 2012, tendo recebido o apelido de “Azul, Blanc Et Rouge”; quando me aproximava da aeronave, perguntei para um funcionário do time de solo sobre tirar fotos: autorizado!

ATR-72/600 – AZUL – PR-AQB

ATR-72/600 – AZUL – PR-AQB

ATR-72/600 – AZUL – PR-AQB

ATR-72/600 – AZUL – PR-AQB

ATR-72/600 – AZUL – PR-AQB

ATR-72/600 – AZUL – PR-AQB

ATR-72/600 – AZUL – PR-AQB

– fui realmente o último a embarcar pela porta traseira do turbo-hélice, onde uma comissária estava parada e oferecia copinhos de água aos passageiros; a cabine estava um pouco quente, como é normal nesta aeronave, pois o ar-condicionado só funciona quando as hélices estão acionadas

Embarque no ATR-72 – Gov. Valadares

Embarque no ATR-72 – Gov. Valadares

– a configuração interna de cabine era no esquema 2 x 2 (duas poltronas de cada lado); partíriamos com 67 passageiros a bordo (a lotação máxima deste turbo-hélice da AZUL é de 70 pessoas)

Cabine do ATR-72 da AZUL

Cabine do ATR-72 da AZUL

Cabine do ATR-72 da AZUL

Cabine do ATR-72 da AZUL

– uma família de 03 pessoas (casal e filho) acabou sentando de forma errada, pois , o meu lugar (6A) estava ocupado; para dar menos trabalho a todos, avisei que sentaria no assento 6D, também na janela, mas do lado direito; o espaço para pernas é até razoável para um avião de pequeno porte e para um voo tão curto; além disso, a poltrona reclina um pouco

Espaço para pernas – ATR-72 da AZUL

Botão para reclinar a poltrona

O VOO PARA BELO HORIZONTE

– a hélice direita foi acionada às 10:14h, quando as instruções de segurança começaram a ser feitas de forma manual pelo casal de comissários que suportariam o voo; os celulares não podem ficar ligados, nem modo avião, a ANAC ainda não aprovou esta facilidade para os ATRs

– o avião não precisa de ajuda de um trator para se dirigir à pista: faz uma curva lenta e radical para a direita e pronto, já está com o caminho livre até a cabeceira, quando a hélice esquerda foi acionada

– o taxiamento foi rápido, o ATR foi na “contra-mão” pela pista, fez meia-volta no final dela e já começou a acelerar para iniciar o procedimento de decolagem exatamente às 10:20h, foram necessários apenas 24 segundos para que começássemos a ganhar altura

– o Chefe de Cabine informou que teríamos apenas 35 minutos de voo até Confins; a minha visão era privilegiada, bem ao lado da hélice; depois que foi permitido ligar o celular, comecei a registrar fotos pela janela

Visão da janela – ATR-72 da AZUL

– eram 10:25h quando o simples serviço de bordo foi oferecido: apenas as tradicionais balinhas em forma de avião, sem bebidas para acompanhar

Serviço de bordo: apenas balinhas

Serviço de bordo: apenas balinhas

– a única opção de entretenimento a bordo era a Revista Azul Magazine nº 56, que estava disponível no nicho superior da poltrona da frente

Revista Azul Magazine

– os ATRs voam mais baixos e mais devagar que os jatos fabricados pela Boeing e Airbus, a experiência de voo é diferente, sendo mais fácil apreciar a paisagem lá fora; a aparência das terras mineiras mudavam a toda hora

Visão da janela – ATR-72 da AZUL

Visão da janela – ATR-72 da AZUL

Visão da janela – ATR-72 da AZUL

Visão da janela – ATR-72 da AZUL

– às 10:52h ficou evidente pela diminuição do som dos motores que a desaceleração tinha sido iniciada e que já estávamos em procedimento de descida para pouso em Confins

Aproximação para pouso em CNF

– pegamos um pouco de turbulência ao passar por nuvens mais pesadas na aproximação, provocando reações de nervosismo em alguns passageiros; o trem de pouso foi acionado às 11:04h, seguido do anúncio vindo da cabine de comando: “tripulação preparar para o pouso

pousamos de forma seca, mas segura, às 11:07h, pela pista 34; o taxiamento foi tranquilo e encostamos em uma posição remota 04 minutos depois, encerrando com sucesso mais um voo da AZUL com um de seus turbo-hélices; um ônibus já aguardava os passageiros para levá-los até o terminal

ATR-72 da Azul em Confins

ATR-72 da Azul em Confins

AVALIAÇÃO GERAL: o preço da passagem já tinha sido caro para voos de curta duração, mesmo considerando a época de alta temporada da minha viagem, mas o cancelamento do voo de volta e todos os transtornos que isto me causou (tive que acordar mais cedo e cheguei 03 horas depois do previsto no Rio de Janeiro) me obrigam a dar nota mínima para o quesito “passagem”; o Aeroporto de Gov. Valadares tem uma estrutura muito simples, o que não chega a ser um problema para uma rápida passagem por lá, mas o péssimo estado dos banheiros do saguão principal merece um destaque muito negativo; voar nos ATRs é uma delícia, eu aprecio muito, são aeronaves eficientes e o baixo custo operacional viabiliza o estabelecimento de muitas rotas regionais de baixa densidade e a AZUL sabe disso, por isso opera com sucesso 38 unidades deste modelo; o serviço de bordo foi bem básico, somente balinhas foram oferecidas, além da água durante o embarque; acho que a companhia podia oferecer pelo menos uma opção de snack salgado que ele serve em outras rotas; neste voo, a AZUL provou que o capital humano é um dos seus grandes ativos: a tripulação agiu de forma positiva e atenciosa em todos os contatos com os passageiros, distribuindo sorrisos e simpatia, um destaque muito positivo desta experiência com a companhia brasileira

3 respostas
  1. Júnior
    Júnior says:

    Parabéns por mais um relato completo, com muitos detalhes e assim muito interessante.
    Lendo sobre essa sua passagem por Governador Valadares, me lembrei da viagem que fiz ano passado para o interior de Goiás, saindo de Porto Alegre, fazendo conexão em Congonhas e descendo em Uberlândia. Achei o aeroporto de Uberlândia bem simples também (achei que pelo tamanho da cidade o aeroporto fosse maior), a sala de embarque é pequena, embarque remoto e passamos pelo raio X apenas quando estava perto da hora de embarque.
    Confesso que fiquei um pouco assustado depois que percebi que o mesmo avião que saia de Congonhas para Uberlândia era o que iria me trazer de volta para SP e fazer a conexão para POA. Como o intervalo entre um voo e outro era curto achei que iria perder o voo e teria dor de cabeça para ajustar isso, mas no fim das contas deu tudo certo e não atrasou.

    Responder

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  1. […] – foto tirada da sala de embarque do Aeroporto de Governador Valadares/MG, o ATR-72/600 da AZUL, de prefixo PR-AQB, estava vindo de Belo Horizonte e voltou para lá logo depois (confira a avaliação completa deste voo AQUI) […]

  2. […] – fui de Governador Valadares até Belo Horizonte para Ipatinga a bordo de um ATR-72/600, de prefixo PR-AQB; confira a avaliação completa deste voo AQUI […]

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